Project Readiness Framework (PRF)
Framework open source de prontidão para projetos de software: 7 etapas, 10 templates e exemplos preenchidos do que precisa existir antes da primeira linha de código.
Sobre o projeto
Quase todo projeto encrencado que passou pela minha mão nasceu igual: o código veio antes do acordo. Requisito sem assinatura. Decisão sem dono. E ninguém tinha parado pra combinar o que era “pronto”. Seis meses na frente, chegava a conta, sempre na mesma moeda, retrabalho e o dedo apontado de um lado pro outro.
O Project Readiness Framework é a minha tentativa de matar isso no berço. Ele lista o que precisa existir, aprovado e por escrito, antes de qualquer um abrir o editor, do levantamento de negócio, o BRD, até o gate de Go/No-Go, o instante que libera ou trava o começo do desenvolvimento.
O que tem no repositório
Quatro peças. O documento normativo, com as sete etapas do fluxo: Discovery, BRD, HLD, LLD/TDD, SAD, Bootstrap Técnico e Go/No-Go. Cada papel, preso à sua matriz RACI. Dez templates prontos pra copiar. Mais dez exemplos já preenchidos.
Os exemplos são a parte de que mais gosto. Giram todos em torno do mesmo projeto fictício, um portal de pedidos de peças pra concessionários, e puxam conversa entre si, do primeiro spike ao checklist final. Você acompanha o caso inteiro e vê um documento alimentando o próximo: o risco que aparece no BRD vira spike, o spike derruba uma premissa, e a premissa derrubada acaba virando uma decisão de cache anotada num ADR. Quando montei essa sequência, confesso que me surpreendi. Não com as peças soltas, mas com o tanto que elas se seguravam em pé juntas, sem muleta nenhuma.
As regras que sustentam o resto
Duas, no osso. Quem produz um artefato nunca é quem aprova. E o que sai de cada etapa tem de bastar pra outro time tocar o trabalho sem ter que perguntar nada a quem já saiu. O resto existe só pra deixar essas duas regras checáveis. Tira elas e sobra papelada.
E a burocracia?
Pergunta honesta. É a primeira que escuto de quem olha de fora. Num projeto pequeno, o fluxo inteiro seria peso morto, e o próprio PRF reconhece isso: o rigor sobe junto com a criticidade. Criticidade baixa segue uma Trilha Leve, com BRD e HLD encolhidos num documento só. O que jamais cai é a dupla BRD + Go/No-Go.
Comecei sem saber se essa régua estava calibrada e, sendo sincero, ainda não sei. Foi por isso que botei o PRF pra medir a si mesmo: lead time por etapa, ciclos de reprovação, o retrabalho que só dá as caras depois da aprovação. A cada trimestre ele para na frente desses números e se revisa. Régua torta? Os próprios dados entregam.
O repositório está aberto. Se você toca projeto que junta mais de um time, vale o clone.